sábado, 27 de abril de 2013

Um campo de concentração.


"O trabalho liberta". A inscrição, com tinta gasta, nas grades de ferro do portão de entrada de Dachau causam arrepios. E não é para menos. Para chegar até ele, fiz o exato caminho que pessoas de mais de 30 nacionalidades realizaram a partir de 1933 até 1948, rumo ao trabalho forçado, doenças, fome e morte. E ao cruzar o portão, iniciei a impossível tarefa de compreender qual o limite da loucura humana pelo poder. Nas conversas com minha mãe e tia, professoras de História, sempre falamos sobre Auschwitz. No entanto, eu mal sabia da existência do primeiro campo de concentração nazista do mundo, hoje chamado KZ Gedenkenstätten (Memorial Campo de Concentração Dachau).
Roupa usada por prisioneiros em Dachau. O triângulo vermelho distingue o grupo que pertencia o indivíduo, como por exemplo, o grupo que oferecia "perigo" político

Pequena e simples, Dachau é uma cidade que fica a 25 minutos de trem do centro de Munique, e foi nela que em 1933, Hitler resolveu executar seus projetos. Construiu no espaço de uma antiga fábrica, um campo de concentração no qual as pessoas deveriam trabalhar na construção de produtos bélicos. Muitas foram aprisionadas sem saber para onde estavam indo, jogadas, amontoadas, dentro de vagões de trem, por três dias, sem comer ou fazer suas necessidades biológicas. Outras, chegaram a Dachau à pé, após terem percorrido 125 quilômetros escoltadas por soldados. No início do aprisionamento, ainda existiam algumas condições para sobreviverem. No entanto, após 1939, a capacidade para 6 mil pessoas foi ultrapassada. Ao fechar suas portas, em 48, Dachau contabilizava 30 mil pessoas, que subnutridas, recebiam pequenas doses de refeição para ficar em pé e trabalhar. Quando muito doentes, os presos eram obrigados a ficar nus e cobertos por um cobertor, colocados em cima de uma carroça de madeira, levados para execução e finalmente, para o crematório (que tive o desprazer de mostrar no vídeo lá embaixo).


Vista do prédio, hoje Museu, para a entrada principal de Dachau

Ao chegar no Memorial (não se paga para visitá-lo), passei o portão e me deparei com  uma enorme construção principal. Ali, as pessoas produziam os produtos bélicos e hoje é um Museu. Ao chegar em Dachau, o preso era obrigado a vestir trajes de presidiário e deixar todos os pertences. Nessa sala, preservam uma mesa da época e as fichas de alguns presos, fotos, cartas para familiares. É comovente, porque ainda se lê a esperança nas palavras daquelas pessoas! Passei então, pelo local onde eles tomavam banho coletivamente e sofriam torturas. Uma mesa de madeira com uma chibata, originais, estão expostos. Em cada sala, há contextualização histórica da 2ª Guerra e seus personagens, como por exemplo, pensadores, artistas, cidadãos e trabalhadores poloneses, judeus, iugoslavos, austríacos, alemães e até japoneses, que ali sofreram, bem como os executores, desde soldados, comandantes até médicos, que adoravam fazer experimentos com choque e gás, além de novos vírus e bactérias, nos presos.

Logo atrás do prédio principal do Museu, há o primeiro "Bunker", ou seja, o primeiro presídio, onde colocavam os que tinham "má conduta". A maior parte das celas preserva as portas originais de madeira. As que não tem, há projeções de frases de presos nas paredes. Um deles diz : "Aqui fiquei oito meses, em cela escura, recebendo três copos de água por dia e um pequeno pedaço de pão". 

São tantos absurdos e sofrimentos registrados, inclusive no documentário de 20 minutos, que pude assistir com imagens da época, que se me perguntar o que eu destacaria, eu diria a foto da libertação, em 1945. Os que conseguiram sobreviver, se colocam em inúmeras filas para deixar o campo e todos...sorriem.




Eu não havia planejado fazer um vídeo (na entrada do Memorial orientam para não tirar fotos ou filmar, por isso em alguns momentos, falo baixinho), mas me obriguei, totalmente no improviso:




Para conhecer o KZ Gedankenstätten em Dachau, basta pegar a linha de trem S2 direção Petershausen. Ao descer na estação, caminhe até o ponto de ônibus, que fica super próximo e pegue o ônibus linha 726. Vai deixá-lo na frente do Memorial.

2 comentários:

  1. Nossa, que doidera... Tão longe da nossa realidade que nem parce de verdade.

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